Instituto Moreira Salles, SP | Andrade Morettin Arquitetos
17/11/2017

Foi inaugurada em setembro 2017 a nova sede do Instituto Moreira Salles, em São Paulo. O projeto foi produto de um concurso realizado em 2011, e sua construção durou quase 4 anos, com início em 2014.  Assinado pelo Andrade Morettin Arquitetos, um dos maiores escritórios de arquitetura em SP, o novo centro cultural é situado na Avenida Paulista (um local que já foi assunto aqui no blog), um dos principais pontos turísticos e culturais da capital paulista.

O instituto visto da avenida

Arquitetura Brasileira, o IMS visto da Avenida Paulista.
Arquitetura Moderna: Pele de vidro revela interior do edifício.

Ao se aproximar do edifício avistamos um prisma translúcido. O material empregado na fachada é um vidro tipo U-Glass – um vidro com seção em U, autoportante, que permite a passagem de luz, mas preserva uma certa opacidade. Na apresentação do projeto, os arquitetos destacaram a “Maison de Verre”, projeto de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet, como uma de suas principais referências devido a essa mesma condição de transparência e opacidade, dada no caso pelo tijolo de vidro (fotos abaixo).

‘Maison de verre’, de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet. FONTE: archdaily.com foto: Mark Lyon
Vista do interior da ‘Maison de Verre’. fonte: https://www.yellowtrace.com.au/maison-de-verre-paris-pierre-chareau-bernard-bijvoet/

A transparência difusa do vidro permite a visualização de um segundo volume por trás, de cor avermelhada, desprendido do invólucro do edifício.  Trata-se dos espaços das galerias de exposição.  Ou seja, da rua é possível avistar o contorno dos espaços expositivos.  O contraste entre a pele de vidro e o volume das galerias é enfatizado não apenas pela cor e pelo afastamento da fachada, mas também por sua forma não ortogonal.

O edifício é suspenso do nível térreo.  No centro desse espaço vazio, uma escada rolante nos convida a subir e adentrar o centro cultural.  Ao fundo do terreno, encontramos um restaurante com uma magnifica parede de jardim vertical – quase um “pocket-garden” na avenida paulista.

Escada rolante de acesso ao prédio e restaurante ao fundo.

Por dentro do museu

Ao subir o primeiro lance de escadas rolantes, somos rodeados por altas estantes de livros e salas de estudo – essa é a biblioteca de fotografia, que possui capacidade para abrigar até 30 mil itens.

Salas de estudo da biblioteca, vistas a partir da escada rolante.

Subindo mais um lance da escada rolante (dessa vez a escada vence um pé direito duplo), chegamos ao pavimento intermediário, entre a biblioteca e as exposições. Um pavimento que reúne características de praça pelo piso de pedra portuguesa, pelos bancos para o descanso e por trazer usos como o café, a livraria, banheiros e chapelaria.  É nesse local que também encontramos a varanda, já avistada da rua.  Dela, podemos ver uma bela vista do centro de São Paulo.

Chegada da escada rolante e Varanda com vista para o centro de São Paulo.
Arquitetura de Museu: Chapelaria, livraria e café, ao fundo.
Arquitetura de museu: Mobiliário para descanso, próximo ao café.

Há também uma varanda semelhante na fachada dos fundos. O guarda corpo é todo de vidro transparente, com um corrimão metálico na parte interna.  Uma solução bastante limpa e elegante, que é repetida também nas escadas do projeto.

Detalhe do guarda corpo de vidro e corrimão metálico.

Aos que seguem para as salas de exposição nos pavimentos superiores, existem duas opções de circulação: o elevador, numa caixa de concreto aparente, ou uma escada aberta, com tábuas de madeira no piso. Em contraponto à estrutura cinza (metálica e de concreto), o piso de madeira traz um calor aos espaços de circulação e exposição.

Arquitetura de museu: Elevador e porta de acesso à sala expositiva.

O instituto conta com três salas de exposição independentes.  Apesar das portas de vidro, que permitem a visualização da exposição antes de adentrar a sala, esses espaços herméticos permitem o controle total da luz e da temperatura para o melhor aproveitamento por parte da curadoria.  O sistema de iluminação em trilhos oferece versatilidade e flexibilidade ao espaço expositivo.

Arquitetura de museu: Sala de exposição.

Por outro lado, o espaço de circulação é predominantemente iluminado pela luz natural – tanto por aquela que entra pela fachada, quando pela claraboia.  O recuo do volume das salas de exposição deixa um intervalo na cobertura, uma fresta de alguns metros que é encerrada por uma pele de vidro. Esse afastamento permite a visualização das diferentes camadas que compõem o edifício; o envelope, responsável pela entrada de luz e controle térmico; a estrutura metálica, responsável pela sustentação do edifício; e o espaço expositivo, o coração do edifício.

Intervalo entre fachada e limite das salas de exposição, com claraboia na cobertura.
Camadas do edifício.